Portugal atravessa um momento conturbado e infelizmente não parece que o ar se venha a tornar mais respirável, pelo menos a curto prazo.
E o maior problema nem é a tão falada e condicionadora austeridade que neste momento não tem alternativa; o problema reside na má qualidade moral de quem dirige a nação, a começar pelo senhor que me dizem ser o Presidente da República e a acabar nos Ministros que recebiam subsídios de alojamento apesar de terem casa em Lisboa e dos quais abdicaram apenas por vergonha depois de expostos na praça pública (se o caso não tivessem aparecido nos jornais estariam agora eles muito calados a mamar mais um subsídio pago pelas vítimas da austeridade).
Uma figura que eu tinha em boa conta e que afinal se revelou ser apenas mais um caso de repugnante imoralidade é a senhora que me dizem ser a Presidente da Assembleia da República.
A dona Assunção candidatou-se ao dito cargo de livre vontade; ninguém a obrigou.
Se a dona Assunção estava muito preocupada com o seu baixo nível de rendimentos, deveria ter-se informado sobre o salário do cargo que se propunha ocupar; se achasse pouco não se candidatava – caso arrumado.
Mas a dona Assunção fez melhor: candidatou-se e logo tratou de arranjar um esquemazito (muito à Cavaco) para abocanhar mais umas massas (pagas evidentemente pelas famosas vítimas da austeridade)
Parece que a dona Assunção ganha mais de 7.000€ de reforma do Tribunal Constitucional (vá lá saber-se porquê uma vez que nunca na vida fez descontos que justifiquem tal reforma). O cargo que se propunha ocupar dava direito a mais de 5.000€ de salário a que acrescem mais de 2.000€ de ajudas de custo.
Assim sendo, os valores até são parecidos; não custava nada abdicar da sua reforma dourada e receber o rendimento correspondente ao cargo que de facto ocupa.
Para uma pessoa minimamente honesta seria muito simples: ou recebia 7.000 da reforma ou 5.000+2.000 da AR – sendo que uma pessoa mesmo honesta optaria sempre pelo vencimento do cargo público que de facto ocupa independentemente dos valores (ainda mais tratando-se de uma eleição pessoal e voluntária).
Mas a dona Assunção não é dessas para quem a honestidade intelectual e a moral são propriamente prioridades e logo viu ali uma oportunidade para melhorar o seu empobrecido pecúlio mensal.
Vai daí, optou por manter a sua reforma dourada (não podia acumular com a reforma e para ela 5.000€ não chegavam) mas prontifica-se para receber os mais de 2.000€ de ajudas de custo.
Como não lhe deixam acumular ordenado e reforma, opta pela mais alta (mesmo que não corresponda ao cargo que ocupa). Mas como as despesas de representação são acumuláveis, a dona Assunção escolhe o melhor de 2 mundos: recebe a reforma dourada mais as ajudas de custo do cargo de cujo salário abdicou.
Tudo legal, evidentemente.
Legal, mas vergonhosamente imoral.
É o princípio da corrupção moral que rege a nossa classe política; e como diz o ditado, quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é burro ou não tem arte.
A dona Assunção pode ser moralmente uma porca mas ninguém a poderá acusar de ser burra – lá isso não.
A dona Assunção lá está, no alto da sua cátedra a contar os votos para aprovar as leis da austeridade (que são imprescindíveis como é evidente).
Esta clivagem entre titulares de cargos públicos, políticos profissionais e restante população acabará por nos custar muito caro no futuro.
Qualquer dia o povo ainda irrompe pela Assembleia adentro com as forquilhas na mão como na revolução francesa.
Nesse dia a dona Assunção não vai perceber o que se passa.
Afinal de contas, se "eles" não têm dinheiro para comprar pão porque é que não compram bolos?
Gilad Shalit era só mais um soldado israelita até ter sido feito refém e detido numa prisão palestiniana em 2006.
Desde então foram decorrendo negociações com avanços e revezes que culminaram agora na sua libertação, 5 anos depois.
Não me interessa agora discutir o conflito e as simpatias que cada um naturalmente tem.
Como optimista militante e esforçado, quero apenas olhar para um Estado que não desiste dos seus.
Para libertar o “seu” rapaz, o Estado de Israel libertou mais de 1000 prisioneiros Palestinianos, muitos deles diretamente implicados em ações terroristas e em crimes de sangue. Dos 1027 presos agora libertados, cerca de 280 estavam condenados a penas de prisão perpétua o que dá uma ideia da gravidade dos crimes em que estavam envolvidos (imagino que nem o mais acérrimo adepto da causa palestiniana acredite que Israel condena alguém a prisão perpétua por dar um carolo em público).
Os próprios serviços secretos Israelitas admitem que 60% dos presos agora libertados vão voltar a planear e a realizar atentados e a formar melícias para atacar o Estado de Israel.
A nível interno, esta troca de 1027 presos por um só soldado levantou enorme polémica com a oposição a protestar perante a desproporção dos números e pelos evidentes riscos de uma nova vaga de atentados e de sequestros. A oposição afirma que o Governo está a dar uma vitória aos “terroristas” e a demonstrar que o sequestro de Israelitas compensa.
Antes da troca foram publicados os nomes dos prisioneiros a libertar para que as famílias das vítimas desses atentados pudessem impugnar o processo.
Por princípio, Israel só liberta presos se as famílias das suas vítimas o aceitarem.
Chamem-lhe “detalhe”...
Quer isto dizer que, com protestos e manifestações à mistura, milhares de familiares de vítimas de atentados terroristas aceitaram libertar os assassinos dos seus familiares para que o soldado Gilad Shalit pudesse voltar a encontrar a sua família.
Num mundo tão marcado pelo espírito de vingança, este exemplo de humanismo deixa-me estarrecido.
Por agora não me interessa discutir o conflito no Médio Oriente.
Interessa-me reter esta ideia de um País que não desiste dos seus.
Obrigado Israel, obrigado pelo exemplo!
Agora que a parte política do processo BPN parece encerrada, é impossível reparar na espantosa coincidência de todos os nomes envolvidos serem amigalhaços do peito de um senhor que me dizem ser o Presidente da República,
O Banco é fundado sabe-se lá com que dinheiros por Oliveira e Costa, um dos seus homem de confiança para gerir os dinheiros do País (seu Secretário de Estado do Orçamento).
Passados uns tempos, Dias Loureiro surge como Administrador do BPN (um dos seus amigos de maior confiança, seu Ministro da Administração Interna durante anos e seu indigitado pessoal para o Conselho de Estado).
Entretanto o tal atual Presidente (junto com a sua filha) ganham umas centenas de milhares de euros em operações que hoje se sabe que foram ruinosas e estão a ser pagas pelos contribuintes.
Na fase de maior instabilidade do banco, surge um outro ex-Ministro de Cavaco (neste caso Miguel Cadilhe) a assumir a Administração do Banco.
Descoberto(s) o(s) buraco(s), nacionaliza-se o prejuízo do Banco (mas não a SLN) sendo o facto promulgado pelo PR.
Passados 2 anos, e sem que ninguém consiga avaliar o dano para o Estado (fala-se em valores entre os 3 e os 8 mil milhões de euros) o referido Banco é dividido em 2: a parte dos ativos tóxicos, dos buracos, dos prejuízos e das indemnizações fica para o estado; os balcões, os colaboradores e os clientes são, digamos, privatizados.
E nesta chamada privatização o Banco acaba por ser oferecido a quem?
A um ex-Ministro de Cavaco, pois claro!
Entra em cena Mira Amaral e leva a melhor sobre tudo e todos (nomeadamente leva a melhor sobre a honestidade intelectual e o bom-senso).
Cavaco não tem nada a ver com isto, claro que não.
Até parece que estou a ver a sua mãezinha a defendê-lo: ele não é mau moço, o problema dele são as companhias...
Sim, Portugal e a Europa estão metidos num belo molho de brócolos; mas disso trataremos amanhã ou depois.
Ontem, dia 24 de Outubro de 2011, saiu o último álbum do Tom Waits e isso para mim faz parar o mundo por um bocado.
Pedimos desculpa por esta interrupção, a crise segue dentro de momentos.
Já o tinha ouvido em streaming no site do dito e fico sempre impressionado (mais uma vez) com a capacidade de este tipo se re-inventar e de se re-inspirar disco após disco, como se dos primeiros álbuns se tratasse.
Eu, que sou um reles mortal, nunca irei compreender como é que se consegue manter a coerência, a genialidade e a inspiração após 40 anos de carreira.
Comprem o disco, "Bad As Me", que é imperdível e de caminho comprem outros discos dele que é sempre dinheiro bem gasto.
Eu comprei a versão deluxe que tem um livro e um disco extra com mais 3 músicas e estou muito contente com o meu investimento.
A net tem esta virtude fantástica de nos fornecer informação a rodos mas tem o inconveniente de nos reduzir à nossa pequenez. A propósito, eu pensava que tinha muitos discos do Tom Waits mas agora fui ao seu site e percebi que no total são 24 pelo que os meus muitos discos eram afinal “apenas” 18.
É certo que dos 6 que me faltam 2 são coletâneas das quais tenho todas as músicas mas mesmo assim vou ter que ir às compras resolver este “problema”...
Em jeito de homenagem fiquem com o vídeo da festa aquando da sua entrada para o Rock’n Roll Hall of Fame.
É genial (qual é a surpresa?)
É o maior artista do planeta!
Estes tempos de crise têm o condão de aguçar o poder de argumentação de quem vê o seu status comprometido.
Um dos exemplos mais divertidos destes últimos tempos tem sido dado pela AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal).
Dizem estes senhores que o aumento do IVA nos restaurantes vem introduzir uma desvantagem competitiva face aos seus congéneres estrangeiros, nomeadamente espanhóis, franceses e italianos.
E eu acho que têm razão.
Eu, por exemplo, estou a pensar ir agora almoçar ali a Paris para poupar o dinheiro do IVA.
Quando não tiver tempo e precisar de comer qualquer coisa a despachar sou capaz de ir a Madrid (porque ir a Paris leva mais tempo).
E quando me apetecer uma pizza, voo para Itália que lá o IVA lá também é mais baixo.
E como eu, milhares de Portugueses vão começar a ir comer regularmente ao estrangeiro (até porque não estamos nada habituados a pagar 23% de IVA nas nossas compras).
É o que se chama "ir comer fora".
Coitados dos restaurantes, vão sofrer imenso com a disparidade do IVA entre os nossos vizinhos comunitários...
Como há uns anos me tornei dependente destas maquinetas com maçãs, quando entro na net aparece-me por default a página da apple.
Todos os dias nos surpreendem com novos produtos, aplicações, e o que demais se entretiveram a inventar.
Mas hoje fui surpreendido pela home page aqui reproduzida.
Fica a homenagem ao maior cromo inventivo deste período de mudança de século.
Que a força esteja com ele e que os meus Mac's continuem a bombar (quase) sem hesitações como até aqui...
Ao menos somos bons nalguma coisa.
Por cá um ex-Primeiro Ministro e atual Presidente da República abarbatou-se com 147.000€ numa operação financeira com uma administração fraudulenta de um banco que, é sabido, acabará por ser paga pelos contribuintes.
Já na República Checa a coisa faz-se por menos; bastante menos.
O seu Presidente foi apanhado a subtrair uma caneta durante uma visita oficial ao Chile. Enquanto o Presidente Chileno dá as boas vindas ao seu congénere com apreciável entusiasmo, o Presidente Checo entusiasma-se com uma caneta que deve valer um pouco mais do que uma BIC e pumba: bolso com ela (um porta-voz Checo diz que era um presente).
Oh Vaclav não-sei-das-quantas, és um ladrão de galinhas pá.
Só consegues sacar uma caneta? Põe os olhos no Cavaco, meu. Meteu 147.000€ ao bolso, agora sabe que esse dinheiro é dos contribuintes mas fica com ele na mesma e ainda diz que é honesto.
Vocês a roubar são pouco ambiciosos.
Ao menos connosco é à grande.
Talvez seja por isso que as agências de rating não gostam de nós...
Finalmente a sós.
O FMI publicou as suas previsões para 2012 e é com satisfação que constatamos que no próximo ano quase todo o mundo estará a recuperar da crise e a esboçar, com maior ou menor vigor, a recuperação económica que todos desejam.
Como habitante deste planeta fico feliz por saber que pelas contas do FMI apenas um País estará em recessão em 2012.
Que fixe para o planeta...
Mas nestas coisas, já se sabe, há sempre uma aldeia de irredutíveis que neste caso não são Gauleses mas sim Lusitanos.
É verdade; o ÚNICO País do mundo que deverá estar em recessão em 2012 é Portugal.
Parabéns, pá. Cá estamos nós, mais uma vez, orgulhosamente sós.
Para quem achava que esta era uma crise mundial, o facto de se prever que apenas um País vá estar em recessão no próximo ano responde à pergunta de forma razoavelmente cabal, não acham?
Obrigado a Salazar por ter cultivado e perpetuado problemas que ajudam ainda hoje a manter viva a chama do isolacionismo; obrigado aos maluquinhos do PREC por terem ajudado a destruir o pouco que se herdou do antigo regime; obrigado a Cavaco Silva por ter esbanjado a promessa de desenvolvimento trazida pela adesão à CEE, obrigado a Guterres pelo primoroso culto do laxismo e obrigado a Sócrates pelo empenho que manifestou na hora da estocada final.
Graças a vós, queridos estadistas do meu País, Portugal é hoje um exemplo de estudo para todo o mundo.
Sem o vosso empenho e dedicação à causa pública (vossa e de muitos outros que nem vale a pena mencionar) nunca teria sido possível esta conquista.
O facto de sermos um exemplo para o mundo de como não se devem fazer as coisas não nos deve deprimir, muito pelo contrário.
Ao menos somos úteis para alguma coisa.
Viva Portugal!
Na maior parte das construções humanas a estrutura é fundamental mas temos alguns exemplos de casos de sucesso que prescindiram dessa formula.
É possível inventar novas coerências e fazer um filme sem uma estrutura narrativa convencional e na música encontramos vários exemplos frequentemente ligados à música contemporânea ou de improviso – música para minorias...
Fazer uma canção pop sem estrutura aparente não é para todos. Quase prescindir da letra para balbuciar coisas que mais soam a “dabadabada my love” ou “paparapara my dreams” é ocupar aquele território de risco em que a fronteira entre o genial e o ridículo se torna mais ténue.
Esta canção tem tudo para ser idiota e não faltará quem a despreze.
Eu estou rendido.
Poderá não ter estrutura nem letra nem princípio nem meio nem fim.
Mas para mim tem o toque de Midas – não preciso de mais nada...
Sempre me chateou a história do politicamente correto.
Criou-se a ideia de que tudo o que se dissesse podia ser ofensivo para alguém e tratou-se de arranjar eufemismos para tudo.
Este adocicar do mundo transformou os cegos em invisuais (apesar de eles continuarem sem ver), as contínuas em auxiliares de ação educativa (apesar de elas continuarem a desempenhar as mesmas tarefas) ou os pretos do Bronx em afro-americanos (apesar de eles nunca terem ido a África e continuarem a morar no Bronx).
A cor da pele então é um desses tabus que até metem medo. Aparentemente só as minorias têm direito à sua cor; a maioria é, digamos, mais ou menos transparente.
Se o Djaló disser que é preto está tudo bem mas se o Paulo Portas dissesse que é branco arranja um sarilho.
Há uns dias passou por cá uma senhora de quem gosto que responde pelo nome artístico de Joan As A Police Woman – é boa gente.
Mas tem uma pele, veja-se lá o desplante.
Numa entrevista que reproduziram no Câmara Clara a cantora apresentou-se: disse na sua língua natal que era “uma rapariga branca do Connecticut que cresceu a ouvir música negra”. Eu diria que esta definição não ofende ninguém mas a criatura que traduziu não concorda - afinal ela é branca e por isso temos que fazer de conta que não tem pele.
Nas legendas lá apareceu a tradução politicamente correta e a Joan passou a ser “apenas” uma rapariga do Connecticut que cresceu a ouvir música negra.
Como artista já cantou com o Rufus Wainwright e com o Antony Hegarty e deve ter um grau de preconceito ao nível da Madre Teresa de Calcutá ou do Mandela mas isso não chega.
E não tem sequer direito à sua própria opinião porque se a der alguém se encarregará de a limar não vá a um qualquer Louçã ouvir e a coisa descambar em polémica.
Vá lá que deixaram a Joan assumir-se como “rapariga do Connecticut que cresceu a ouvir música negra”. Mas pensando melhor esta definição também pode ser ofensiva. O ser rapariga pode ofender os transexuais, o facto de ser do Connecticut pode ofender a malta do Arkansas e o facto de ouvir música negra pode ofender os surdos (ou melhor, os deficientes auditivos).
Ela podia assumir-se como apenas um Ser Humano mas isso podia ofender os demais animais e plantas o que seria inaceitável.
A tradução correta devia ser: “sou um ser vivo”.
Hum... não sei... Mesmo assim acho que ofendia os mortos.
Se calhar o melhor é acabar com a Humanidade e assim já ninguém ofende ninguém.
Fica a sugestão.
. O Resgate do Soldado Shal...